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Zema: PL antifacção é avanço, mas gostaria que facções fossem tratadas como terroristas

12 de novembro de 2025

Por Pepita Ortega e Victor Ohana

Brasília, 12/11/2025 – O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quarta-feira, 12, que o projeto de lei antifacção, que pode ser votado na Câmara dos Deputados ainda nesta tarde, é um “avanço”, mas seu desejo é o de que as facções criminosas fossem tratadas como terroristas. O relator do texto, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), chegou a colocar tipificações relacionadas a facções dentro da lei antiterrorismo, mas voltou atrás na proposta nesta terça-feira, 11, para melhorar o “campo político” e facilitar a tramitação do PL.

A declaração foi dada por Zema após ele deixar uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre o PL antifacção. Também participam da reunião os governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). O encontro ainda está ocorrendo no gabinete de Motta. Zema teve que sair mais cedo do debate.

A jornalistas, Zema disse ter pedido a Motta que inclua “o que for possível” no projeto no sentido de deixá-lo “o mais robusto possível”. O governador afirmou ainda que se vive no País um “momento único” no que diz respeito à segurança pública. Indicou que, em sua avaliação, a megaoperação no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos foi um “divisor de águas” e “colocou à tona” a segurança pública como a maior preocupação do brasileiro.

O político ainda aproveitou a deixa para criticar o governo federal, autor do texto original do projeto de lei que pode ser votado ainda hoje na Câmara. “Nós temos um governo federal que está tão assanhado por arrecadação e ele deveria saber que combatendo o crime organizado a arrecadação sobe automaticamente. Porque no Rio de Janeiro nós temos casos de fornecedoras de energia elétrica que não conseguem receber 70% daquilo que fornecem porque os gatos é que predominam. E, lembrando que as facções é que faturam em cima disso sem pagar PIS, sem pagar Cofins, sem pagar imposto de renda, sem pagar contribuição social”, disse.

Zema ainda chegou a afirmar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que deve ser votada na Câmara dos Deputados em dezembro, “não melhora em nada”. A PEC foi enviada ao Congresso pelo governo federal.

Contato: pepita.ortega@estadao.com; victor.ohana@estadao.com

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