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17 de novembro de 2025
Por Daniel Tozzi
São Paulo, 17/11/2025 – O espaço para a continuidade de uma política tarifária agressiva por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está cada vez menor, na avaliação do analista político e professor de Relações Internacionais da FGV-SP, Oliver Stuenkel. Ele foi um dos participantes do 20º SIAC, evento organizado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento.
Segundo Stuenkel, a persistente inflação nos EUA tem minado a popularidade do presidente americano e, por isso, há pouca margem para Trump seguir impondo tarifas a parceiros comerciais.
“É possível contar muita coisa com a sua própria base, mas não dá para mentir sobre o que o eleitor tem no bolso”, disse o analista político. “Eu acho que o espaço político para o Trump continuar a sua política tarifária é hoje muito menor do que era antes. Isso não quer dizer que amanhã ele vai encerrar as tarifas, mas que a tendência política é para relaxar algumas dessas tarifas que evidentemente têm alimentado bastante a inflação”, complementou.
Segundo Stuenkel, esse quadro já faz alguns deputados do partido Republicano temerem por uma derrota significativa nas eleições de meio de mandato (“midterms”) no ano que vem.
Em relação ao cenário geopolítico global, Stuenkel destacou que a América Latina, e principalmente o Brasil, ao contrário de tempos passados, passaram a ser locais com relativa estabilidade e, por isso, podem se beneficiar de um cenário mais “bagunçado” entre as principais potências e atrair cada vez mais investimentos.
Ele destacou, contudo, que essas vantagens não podem fazer com que o Brasil esqueça de “resolver” parte de seus problemas, como o complexo sistema tributário, falta de mão de obra qualificada e questões relativas à segurança pública para garantir a atração de investimentos.
O cientista político também destacou que outro ponto em favor do Brasil, sob o ponto de vista do comércio exterior, diz respeito à grande quantidade de terras raras e minerais críticos que o País possui, e que pode ser um trunfo para relações econômicas tanto com a China como com os Estados Unidos.
Contato: daniel.mendes@estadao.com
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