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Exclusivo: Avenue vê salto de 125% na custódia de ETFs de ouro em um ano

9 de fevereiro de 2026

Por Bruna Camargo

A custódia de ETFs de ouro na Avenue cresceu cerca de 125% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, impulsionada pela forte valorização do metal no mercado internacional e pela busca dos investidores brasileiros por diversificação global e proteção cambial. No mesmo período, o ouro acumulou alta aproximada de 70%, e a correção vista nos últimos dias está dentro do esperado, exigindo avaliação do investidor de se a volatilidade do ativo tem espaço dentro da carteira.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, essa demanda por ouro reflete um conjunto de fatores que vêm se acumulando ao longo dos últimos anos. Ele destaca que, olhando em retrospectiva, a escalada recente do metal pode parecer óbvia, mas foi construída a partir de choques sucessivos – sendo o primeiro gatilho relevante a invasão da Ucrânia pela Rússia, que elevou o grau de incerteza geopolítica global. A isso se somaram os conflitos no Oriente Médio e, mais recentemente, tensões envolvendo Estados Unidos, Venezuela e disputas comerciais com potencial de escalada. “Isso tudo impulsionou o ouro como um ativo de refúgio seguro”, diz.

Um elemento adicional, segundo Alves, foi o congelamento de reservas russas e de ativos ligados a oligarcas após o início da guerra. Para ele, o episódio abriu um precedente que levou outros países e bancos centrais a repensarem a segurança de suas reservas em moedas fiduciárias. E, nesse contexto, a compra de ouro por bancos centrais ganhou força.

Países como China, Rússia, Índia, Polônia e Turquia estão entre os que mais ampliaram suas reservas desde 2022. “Existe um receio com moedas fiduciárias em geral, e não é só o dólar”, diz. Para ele, os criptoativos ainda não se consolidaram como alternativa, o que mantém o ouro como opção central nesse processo de diversificação dos bancos centrais.

O terceiro fator citado é o temor inflacionário, reacendido por guerras comerciais, tarifas e riscos de ruptura nas cadeias globais de suprimentos. “Num cenário onde moedas perdem valor por conta da inflação, como é que você se protege disso? Você vai para ativos reais”, afirma. A política monetária americana também entra na equação: ciclos de corte de juros reduzem a atratividade relativa dos Treasuries – os títulos do Tesouro americano -, abrindo espaço para o ouro como ativo de proteção.

Alves aponta ainda o efeito comportamental do mercado, com o chamado fear of missing out (FOMO), que retroalimenta a demanda e ajuda a sustentar o rali via ETFs lastreados em ouro. “O investidor não quer ficar de fora e perder”, diz.

Na Avenue, o crescimento da custódia reflete essa combinação de fatores. Parte relevante do avanço na custódia está associada à valorização do metal, mas houve também aumento efetivo de alocações. “Parte relevante é mais gente comprando e mais dinheiro sendo colocado nos ETFs”, destaca Alves. O número de clientes da Avenue com posições em ETFs de ouro avançou 31% em relação a 12 meses atrás.

Nos últimos dias, porém, o mercado passou por um ajuste. A semana passada foi marcada por extrema volatilidade no ouro e na prata, com uma forte correção na sexta-feira, com parte da correção atribuída pelo mercado à nomeação de Kevin Warsh para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o que trouxe alívio ao dólar e reduziu temores de perda de independência da autoridade monetária. Ainda assim, o metal dourado acumulou ganho mensal de quase 10% em janeiro.

“Quanto mais um ativo sobe e com velocidade, maior é o risco envolvido em sua exposição. Depois de subidas tão rápidas e parabólicas, correções profundas são comuns”, destaca Alves. “Da mesma forma que altas de 6%, 7%, 8% ou mais acontecem, quedas também são possíveis.”

Assim, o estrategista diz ver com preocupação sinais de exagero e comportamento de manada. E, para o investidor, o recado é de reflexão. “Você quer ter um ativo de tamanha volatilidade em sua carteira? Se sim, em qual proporção? Pense a respeito.”

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