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COP30: apesar de Trump, agenda sustentável segue em pauta, diz executivo da AkzoNobel

11 de novembro de 2025

Por Eliane Sobral

São Paulo, 11/11/2025 – Com experiência de quase duas décadas na área, há dez anos Wijnand Bruinsma responde pela agenda global de sustentabilidade na AkzoNobel, a gigante holandesa do setor de tintas, dona da marca Coral, entre outras, com 31 mil empregados distribuídos por mais 150 países. A maior parte dos US$ 1,3 bilhão investidos pela companhia ao longo dos últimos cinco anos em ações sustentáveis não estão sob a gestão direta de Bruinsma, pois são canalizados para Pesquisa e Desenvolvimento de novos produtos – como o portfólio de tintas decorativas que, desde o início dos anos 2000, trocaram os solventes por água em sua composição.

Na segunda feira, o executivo holandês fez uma rápida escala em São Paulo, rumo à COP-30, em Belém, onde pretende apresentar os resultados de projetos desenvolvidos pela companhia – como a redução de 45% das emissões de CO² na produção de vernizes e esmaltes que também trocaram os solventes por água, ou o reaproveitamento dos rejeitos produzidos pela companhia globalmente, hoje na casa dos 75%, segundo ele. Na América Latina o indicador é maior, de 84% e no Brasil já está em 99,2% de acordo com Bruinsma. A meta é chegar aos 100% de reciclagem até 2030.

Trump na pauta

Mas, além de bons indicadores para mostrar, Bruinsma também leva na bagagem as preocupações hoje comuns aos executivos de multinacionais, especialmente aqueles que trabalham com a pauta da sustentabilidade e de diversidade e inclusão. Isto porque, as pressões do presidente americano, Donald Trump, para frear esta agenda, não apenas nos Estados Unidos como até onde a vista alcança, anda a pleno vapor, em que pese questões tarifárias a se negociar ao redor do mundo ou a paralisia da máquina administrativa dentro de casa. “Sim, existe pressão, ela é uma preocupação e tema de debate nos fóruns europeus”, disse o executivo em entrevista ao Broadcast.

No caso da AkzoNobel, a América do Norte não é o maior mercado da companhia e representa 13% da receita global da companhia – de 10,7 bilhões de euros no ano passado. “Claro que os Estados Unidos são um mercado importante, mas não sentimos o impacto, talvez porque nosso negócio seja B2B. E quando falamos de América do Norte, estamos falando também de México e Canadá, e não apenas das vendas aos Estados Unidos”, pondera o executivo, lembrando que, “se há Estados Unidos, há também a China”. Que, aliás, ao lado de África, Europa e demais países do Oriente Médio, respondem por 47% das vendas – a América Latina contribui com 12% da receita global. Sob o prisma da diversidade e inclusão, Bruinsma diz que não houve retrocesso “porque é a coisa certa a fazer”. E há muito o que se fazer, incluindo a companhia holandesa que tem apenas 25% de mulheres ocupando cargos C-Level, em um contingente de 31 mil trabalhadores.

Contato: eliane.sobral@estadao.comC

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