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O empresariado brasileiro inicia 2026 mais cauteloso, mas ainda orientado ao crescimento. É o que revela a nova edição do International Business Report, estudo global da Grant Thornton, que aponta uma queda no nível de otimismo acompanhada pela manutenção de indicadores robustos de atividade, investimento e geração de empregos. No […]
28 de maio de 2026

O empresariado brasileiro inicia 2026 mais cauteloso, mas ainda orientado ao crescimento. É o que revela a nova edição do International Business Report, estudo global da Grant Thornton, que aponta uma queda no nível de otimismo acompanhada pela manutenção de indicadores robustos de atividade, investimento e geração de empregos.
No Brasil, 67% dos empresários se dizem otimistas com a economia para os próximos 12 meses. O cenário global ajuda a explicar o movimento. Tensões geopolíticas, pressão sobre cadeias produtivas, aumento de custos logísticos e volatilidade no preço de commodities ? especialmente petróleo, ouro, prata e cobre ? já impactam a atividade econômica.
Para Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil, o momento exige uma leitura mais pragmática. ?A queda do otimismo é reflexo de um ambiente externo mais complexo, com potenciais impactos em aumento de preços do petróleo/diesel, desabastecimento ou aumento de preços dos fertilizantes e transportes. Internamente, a continuidade de taxas de juros elevadas, perda do poder de compra, entre outros, tem afetado negativamente a economia, com impactos concretos no consumo, nos custos e nas cadeias produtivas. As empresas seguem crescendo, mas com mais disciplina na gestão, foco em eficiência, fluxo de caixa e atenção redobrada à gestão de riscos?, afirma.
Tecnologia amplia papel estratégico e ganha dimensão industrial
Mais do que digitalização, no entanto, o conceito ganha uma dimensão mais ampla, conectando-se diretamente à capacidade produtiva e energética. ?A tecnologia deixa de ser apenas um tema digital e passa a ser um eixo estratégico mais profundo, que envolve produção, energia e infraestrutura industrial. Em um cenário de pressão sobre petróleo, logística e insumos, investir em tecnologia é também uma forma de reduzir dependência externa e aumentar resiliência?, diz Maranhão.
Nesse contexto, sustentabilidade passa a ser cada vez mais orientada por exigências regulatórias e de mercado, deixando de ser apenas uma agenda reputacional e ganhando peso direto na estratégia de negócios. Com incertezas climáticas, por irregularidade nas chuvas, produtores podem reduzir investimentos em compras de máquinas e expandir os plantios para próximas safras, devido a possíveis impactos sobre a produtividade. Na análise de riscos, quando os riscos climáticos aumentam, os bancos endurecem nas suas análises para concessão de crédito; consequentemente, financiamentos tendem a ficar mais caros e as garantias também tendem a aumentar.
Cautela no curto prazo e oportunidade estrutural no longo
De forma geral, o IBR Q1 2026 aponta para um empresariado mais cauteloso, diante de um cenário externo de maior volatilidade e num ano de eleição eleitoral. Para Maranhão, o curto prazo tende a seguir pressionado, com inflação, custos elevados e incertezas externas ? mas esse mesmo contexto pode acelerar transformações importantes.
?O Brasil continua tendo uma oportunidade relevante de avançar na sua capacidade produtiva e industrial em um momento em que o mundo busca diversificar cadeias e reduzir dependências. Se houver evolução em estabilidade econômica, segurança jurídica e visão de longo prazo, o país pode se posicionar de forma mais estratégica nesse novo contexto global?, observa.
Ele conclui: ?O cenário é mais desafiador, mas também é um ponto de inflexão. As empresas que conseguirem combinar disciplina no curto prazo com investimento consistente em tecnologia e capacidade produtiva estarão mais bem preparadas para crescer de forma sustentável e capturar as oportunidades que surgem nesse novo ciclo?.
Website: https://www.grantthornton.com.br/
Imagem publicada: (Grant Thornton)
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