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22 de abril de 2026
Finalizado o período da janela partidária (6/4), os resultados das trocas de legendas já podem ter uma primeira mensuração. Partidos ganharam cadeiras, outros perderam e alguns não apresentaram mudanças no número de seus parlamentares.
Entre os que ganharam, destacam-se o PL (11 parlamentares), Podemos (8 parlamentares) e, em menor medida, o PSD (4 parlamentares). Entre os que perderam, o pódio fica com União (-14 deputados), PDT (-6 deputados) e MDB (-4 deputados). PT, Psol e Solidariedade mantiveram seus números inalterados.
Porém, é importante destacar que esse é o saldo das mudanças, ou seja, é o resultado das entradas e saídas no partido. Por isso, é interessante observar de onde vieram os novos membros do partido e quanto esses partidos também perderam. O PL recebeu 20 novos membros, mas perdeu 9. Dos que chegaram, 9 eram do União.
Além disso, a maior parte dos parlamentares que mudaram para o PL já estavam em partidos de direita e, em menor medida, partidos de centro. Por outro lado, as saídas do PL também tiveram como destino partidos da direita e Centro. Já o Podemos recebeu 11 novos membros e perdeu 3.
A origem das entradas se divide entre União, MDB, PL, PP e PSD. Já as saídas foram para PSD, PSDB, Republicanos. Novamente, o fluxo de entradas e saídas fica no campo do centro e da direita. O PSD, apesar de ter um saldo positivo mais baixo, apresentou 15 novos membros e perdeu 11.
Nas chegadas, destacam-se MDB, PSDB, PL e PSB (os dois primeiros foram origem de 3 parlamentares cada e os dois últimos de 2). Por outro lado, o PSD perdeu membros para o PL (3), MDB (2), PP (2), União (2), Podemos (1), Republicanos (1). Aqui, destaca-se a entrada de membros do PSB: dentre os casos dos partidos com maior saldo positivo, é a primeira vez que se vê a mudança de um partido da esquerda parlamentar.
Entre os com saldo negativo após a janela partidária, o União ganhou 11 membros, mas perdeu 25. Entre os que chegaram ao partido, a maioria veio de outros partidos da direita parlamentar, mas também houve a entrada de 1 membro de um partido de centro-esquerda (PDT).
As saídas também se concentram na direção para outros partidos de direita, com destaque para o PL. Houve também 1 parlamentar que saiu do União para o PDT (Celso Sabino), zerando o saldo entre os dois partidos. No PDT, o quadro é diverso. Em termos de entrada, ele só recebeu um parlamentar do União, mas perdeu 7 membros. Nesse caso, PSB, Psol e PV receberam 4 membros no total. MDB recebeu 1. Republicanos e União receberam 1 cada.
No que tange às saídas, esse é o quadro ideológico mais amplo: apesar de partidos de centro e esquerda concentrarem a maior parte dos destinos desses parlamentares, há uma presença também de partidos de direita como receptores desses deputados. O MDB recebeu 7 e perdeu 11. As maiores origens partidárias dos novos membros foram União e PSD. Já os principais receptores foram Podemos e PSD, mas o PSB chega a receber 2 parlamentares. Nesse caso, pode-se dizer que o MDB recebeu parlamentares do centro e da direita, mas perdeu parlamentares para todo o espectro político.
Por fim, entre os partidos que mantiveram o tamanho da sua bancada, o PT recebeu 1 parlamentar do PV e perdeu 1 para a Rede. O Psol perdeu 1 para o PT e ganhou 1 do PDT. Nesses dois casos, as trocas ficaram mesmo entre partidos do mesmo bloco ideológico.
Já o Solidariedade, perdeu 3 (PSD, PSB e União) e ganhou 3 (PRD, Republicanos e União), apresentando uma maior amplitude no espectro ideológico nas suas alterações. Essa amostra das movimentações nos permite apontar algumas coisas sobre o cenário político. A primeira delas, e mais clara, é o crescimento do PL. Nesse caso, pode-se notar que houve um realinhamento nas forças de direita, reforçando esse partido, que lançou como candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Essa movimentação em direção ao PL mostra um reforço a essa candidatura por parte da direita.
O outro ponto é que a maioria das alterações permanece dentro do mesmo bloco político-ideológico, isto é, as migrações são, em sua maior parte de partidos de esquerda para partidos de esquerda, da direita para a direita ou de um desses blocos para o centro e vice-versa.
As mudanças da direita para a esquerda, ou o contrário, são residuais. Esse ponto pode reforçar a visão de que essas alterações obedecem à óptica eleitoral – parlamentares buscam realocar-se entre partidos visando melhores condições de disputa – e menos uma questão programática ou ideológica.
Bruno de Castro Rubiatti, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor do Programa de Pós-graduação em Ciência Política e da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA), coordenador do Grupo de Pesquisa Instituições Políticas: Processo Legislativo e Controle (UFPA/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq) e pesquisador do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (Legal)
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