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BTG/Mansueto: governo fez bom esforço fiscal no primário, mas será consumido por serviço/dívida

17 de novembro de 2025

Por Daniel Tozzi

São Paulo, 17/11/2025 – A atual gestão do Ministério da Fazenda fez um bom trabalho em relação à redução do déficit primário nos últimos anos, principalmente com elevação de receitas, mas esse “esforço” será praticamente consumido pelo serviço da dívida pública, já que o nível da Selic aumentou muito. A avaliação foi feita pelo economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, durante participação em evento da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em São Paulo.

“Não fizemos o dever de casa no fiscal, apesar da imensa boa vontade do ministro da Fazenda e de sua equipe econômica”, disse ele.

Conforme detalhou Mansueto durante sua apresentação, o déficit primário do governo deve cair de R$ 240 bilhões em 2023 para perto de R$ 55 bilhões no ano que vem. Ao mesmo tempo, porém, o serviço com o pagamento de juros da dívida pública deve aumentar R$ 160 bilhões no período. Assim, seguiu o economista-chefe do BTG, o déficit nominal deve cair de 8,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 8,4% do PIB nos últimos quatro anos. Ele destacou que trata-se de um avanço bastante tímido e que outros países que também enfrentam problemas fiscais, como os Estados Unidos, têm hoje um déficit nominal na casa de 6%.

“O governo fez um enorme esforço, inclusive na arrecadação, mas como ele perdeu credibilidade na sua política econômica e não conseguiu resolver o problema fiscal do ponto de vista estrutural, os juros estão muito altos e esse juro aumenta o serviço da dívida. E o conceito relevante para o crescimento da dívida é o resultado nominal”, resumiu Mansueto.

Para ele, por isso, há um “imenso desafio” para ser resolvido nos próximos anos, já que sem essa resolução não haverá redução estrutural no juro e na inflação o que, consequentemente, trava o nível dos investimentos. O desafio, seguiu Mansueto, terá de ser contornado independentemente do resultado da eleição presidencial de 2026.

Entre as alternativas para melhora fiscal, o economista do BTG defendeu que é possível rever o tamanho do orçamento direcionado para alguns programas sociais, como o Bolsa Família. “A questão não é ser contra ou a favor do Bolsa Família, porque eu acho que todo mundo é a favor. A questão é qual o orçamento adequado do programa para conseguir aquilo que se espera do Bolso Família”, detalhou ele, frisando que esse Orçamento praticamente quadruplicou nos últimos anos em relação ao que era entre 2003 e 2019.

Mansueto também mencionou a necessidade de rever a regra de correção do salário mínimo e sua vinculação ao pagamento de benefícios, já que os gastos previdenciários são o principal ponto de pressão das despesas obrigatórias do governo. “A valorização do salário mínimo puxa o gasto previdenciário. Essa política, possivelmente, terá que ser revista quem quer que seja o próximo presidente da República”.

2026

Em relação especificamente ao próximo ano, Mansueto avalia que é “normal” haver alguma expansão fiscal em 2026, por se tratar de um ano eleitoral, mas que essa expansão não deve ser “significativa”, já que o governo federal tem que seguir as regras do novo arcabouço e que, qualquer novo programa, teria que ser desenhado para ficar fora das amarras de gasto. Ele ponderou, porém, que Estados e Municípios podem acabar elevando seus gastos de maneira mais acelerada, visto que as regras fiscais nesse sentes são menos rígidas.

Contato: daniel.mendes@estadao.com

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