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Jogo Político: Com Bolsonaro em queda, Centrão estuda repetir modelo que elegeu Nunes em SP

22 de agosto de 2025

Esta é uma republicação da nota distribuída ontem, 21, às 16h32

file://imagem/155/Marcelo_de_Morares.jpg:1.155.23.336 Por Marcelo de Moraes

Brasília, 21/08/2025 – A última rodada da pesquisa Genial/Quaest mostrou o efeito político da atuação do clã Bolsonaro a favor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e de outras ações contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e contra outros integrantes do governo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem na pesquisa, todos os candidatos da direita e centro-direita que têm buscado o apoio do bolsonarismo para 2026 perderam terreno na corrida eleitoral. Para driblar a rejeição que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem transferido para esses candidatos, o Centrão já estuda reproduzir no âmbito nacional a fórmula que teve êxito na disputa pela Prefeitura de São Paulo, no ano passado. Sem se associar diretamente ao bolsonarismo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) foi reeleito com o apoio dos partidos do Centrão e de outras legendas de direita e de centro-direita e ainda atraiu boa parte dos eleitores do ex-presidente, especialmente no segundo turno contra Guilherme Boulos (Psol), candidato da esquerda.

Modelo – Nesse caso, o nome favorito para encabeçar o projeto do Centrão segue sendo o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Só que, na avaliação de integrantes do Centrão, a estratégia só terá chance de funcionar se Tarcísio começar a se distanciar do seu padrinho político.

Diferente – Ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, Tarcísio somente se elegeu governador por conta do aval do ex-presidente. Diferente de outros governadores pré-candidatos que têm trajetórias políticas mais orgânicas, liderando grupos políticos em seus Estados. Por isso, esse afastamento do bolsonarismo, mesmo que seja mais suave, pode soar como traição política e inviabilizar a candidatura nacional.

Desgaste – O problema é que, desde o início do processo do tarifaço, a proximidade com Bolsonaro piorou os números de Tarcísio na pesquisa da Genial/Quaest. Entre julho e agosto, o levantamento mostrou Lula ampliando sua vantagem sobre o governador de 4 para 8 pontos porcentuais. A rejeição de Tarcísio também aumentou 6 pontos porcentuais no mesmo período. E, pior, como o grau de conhecimento do eleitor sobre Tarcísio subiu cinco pontos, essas pessoas podem tê-lo conhecido já o rejeitando.

Tempo – Dirigentes do Centrão acreditam que há tempo suficiente para reverter essa tendência. Até porque sabem que Lula somente agora tem conseguido reverter a curva de rejeição, mas segue com alto de desgaste.

Palco – Um dos planos é aproveitar o controle da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS pela oposição. Os principais cargos do colegiado, que investigará as fraudes contra pensionistas e aposentados, foram ocupados por políticos da oposição, que preveem o provável desgaste de Lula e de seu governo por conta das investigações.

Vai repetir? – Na visão desse grupo, existe a expectativa de repetição do que ocorreu durante a CPI da Covid, que investigou a maneira como o governo de Jair Bolsonaro se comportou diante da pandemia e acabou causando a ele uma forte perda de aprovação junto à opinião pública. Como o tema das fraudes do INSS tem um forte apelo popular, oposicionistas apostam num grande potencial de desgaste para Lula.

Tanto faz – Além disso, lembram que mesmo que as investigações apontem também para problemas ocorridos durante o governo de Bolsonaro, ele já está fortemente desgastado e inelegível. Ou seja, por essa visão, Lula teria muito mais a perder com a CPMI.

Otimismo – Aliados diretos do presidente Lula avaliam que ele poderá melhorar seu desempenho nas pesquisas quando o governo começar a capitalizar medidas de forte alcance popular, como a aprovação pelo Congresso do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a isenção da conta de luz para quem tem baixo consumo de energia. Nesta quinta-feira, a Câmara já aprovou o regime de urgência para votação da isenção do Imposto de Renda, abrindo caminho para sua tramitação.

Peso – Interlocutores do presidente reconhecem que a defesa da soberania do País ajudou na melhora do desempenho de Lula, mas avaliam que a redução do impacto da inflação foi o fator mais importante para que o presidente ganhasse fôlego eleitoral. E, por isso, entendem que medidas de alcance popular como, por exemplo, as da isenção do Imposto de Renda e da conta de luz têm potencial para ampliar a popularidade do presidente.

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