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Bastidores/CPI do INSS: Planalto conta votos e crê ter maioria para barrar convocações (TESTE)

21 de agosto de 2025

Esta é uma republicação da nota distribuída ontem, 20, às 21h02 (TESTE)

Por Mariana Carneiro

Brasília, 20/08/2025 – Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a tarde desta quarta-feira, 20, telefonando para líderes partidários com representantes na CPI do INSS. A derrota pelo comando da comissão levou a uma recontagem dos votos com que o Palácio do Planalto conta para obter maioria e, assim, evitar convocações e a aprovação de um relatório adverso.

Todas as convocações, observa um aliado do presidente, têm de ser aprovadas pela maioria da comissão. O governo acredita ter o apoio dos partidos que compõem a base aliada para barrar convocações como a do irmão de Lula, o Frei Chico, que é dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das entidades que fizeram descontos em benefícios de aposentados do INSS e foram citadas nas investigações para apurar fraudes. O sindicato, porém, ficou de fora das medidas judiciais e administrativas adotadas pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Desde o início, o governo acreditava ter vantagem numérica na comissão e foi pego de surpresa quando a oposição venceu a disputa pelo comando da CPMI em votação nesta quarta. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que é de oposição, vai presidir a comissão, e o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (União-AL) será o relator.

Em entrevista à imprensa, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu a derrota a um “apagão” na articulação do governo e insinuou ter deixado o cargo à disposição do Planalto.

Os auxiliares de Lula acreditavam, até a véspera, que a CPMI era um tema sob controle, uma vez que os nomes de Omar Aziz (PSD-AM) e de Ricardo Ayres (Republicanos-AM) haviam recebido a chancela dos presidentes do Senado e da Câmara. Por isso, o governo também vê derrota de Davi Alcolumbre e de Hugo Motta no episódio, mas não os responsabiliza.

A articulação política do governo identificou que três aliados deixaram de votar e cobraram os seus partidos. Recebeu o indicativo de que, apesar da ausência, deverão seguir com o governo nas votações futuras. O governo não cogita pedir a substituição de representantes dos partidos na CPMI, mas quer fazer valer a maioria que acredita ter na comissão.

O deputado Rafael Brito (MDB-AL) estava em viagem ao exterior sem que o governo fosse avisado; Romero Rodrigues (Podemos-PB) ficou ausente alegando ter agenda no Estado; e o líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG), avisou que não iria aparecer em razão de um tratamento dentário. Os três foram substituídos por membros do PL, que votaram em Viana.

Randolfe chegou a sugerir que houve uma quebra no regimento, ao dar mais peso relativo à oposição em relação ao tamanho de sua bancada, mas disse que o governo não pretende questionar o resultado. Aliados chegaram a sugerir ao Planalto recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a alternativa não está sendo considerada.

Nos bastidores, o governo também se queixa que a votação foi feita rapidamente – durou 13 minutos – em sessão que foi presidida pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra a oposição no Senado.

Naquele momento, perto de 11h30, a equipe política de Lula estava mobilizada na audiência do ex-chanceler Celso Amorim, assessor da Presidência, na Comissão de Assuntos Exteriores, formada majoritariamente por parlamentares bolsonaristas. Outros aliados estavam envolvidos nas sabatinas de indicados para as agências reguladoras e na emenda constitucional que dá independência financeira ao Banco Central.

Um integrante do time de Lula avaliou o caso como o de um filho que tem muitos pais e não tem pai nenhum, negando que o episódio sinalize um novo regime (mais negativo) na relação com o Congresso.P

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